VOCÊ ACHA QUE O REMÉDIO PARA COLESTEROL CAUSA EFEITOS ADVERSOS?

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As ESTATINAS, medicamentos para redução do colesterol LDL (o ruim), amplamente prescritas para prevenção de infartos e “derrames”, estão entre as descobertas mais relevantes da medicina moderna, e já salvaram um incontável número de vidas desde sua introdução algumas décadas atrás.

Porém, a mídia difunde frequentemente falsas idéias a respeito de efeitos adversos destes medicamentos, levando muitos pacientes a suspender seu uso, colocando em risco, assim, sua saúde.

Um dos grandes trabalhos que mostrou o efeito benéfico das estatinas foi o ASCOT-LLA, realizado entre 1998 e 2002, no norte da Europa, onde 10.180 indivíduos com mais de 60 anos de idade receberam uma estatina (Atorvastatina 10mg por dia) ou placebo (pílula igual, porém inócua) durante 3,3 anos em média. Importante salientar que esse estudo foi duplo-cego, o que significa que nem o médico e nem os pacientes sabiam quem estava recebendo o medicamento (Atorvastatina) e quem estava recebendo o placebo.

Durante estes 3,3 anos, entre outros dados, foram registrados os sintomas de cada participante, a fim de averiguar-se possíveis efeitos colaterais do medicamento. Especificamente, foco nos efeitos mais comentados na mídia: dores musculares, insônia e impotência.

  • A chance de o paciente queixar-se impotência foi a MESMA com atorvastatina ou com placebo.
  • A chance de o paciente queixar-se de dores musculares foi a MESMA com atorvastatina ou com placebo (2% por ano em cada grupo).
  • A chance de o paciente queixar-se de insônia foi MENOR com atorvastatina do que com placebo.

Estes achados já foram amplamente divulgados no meio científico ao longo destes 15 anos, e indicam que a estatina não aumentou a chance dos efeitos adversos acima. A novidade é o que vem logo abaixo:

Depois de encerrado o estudo, como a estatina mostrou grande efeito protetor contra infartos e “derrames”, aos participantes que receberam placebo durante o estudo foi oferecida a possibilidade de passar a usar atorvastatina, e muitos assim o fizeram. Os pacientes continuaram sendo acompanhados, mas agora ninguém tomava placebo. Quem estava recebendo atorvastatina durante a fase cega do estudo, teve a chance de seguir tomando, ou parar, de acordo com sua vontade.  Assim, os pacientes seguiram em acompanhamento, alguns usando atorvastatina (e sabendo que estavam usando) e outros sem usar a droga (nem placebo).

Interessantemente, o simples fato de “saber” o que se está ingerindo levou a um aumento no relato de efeitos adversos: no acompanhamento pós fase cega, os pacientes usando atorvastatina relataram mais dores musculares do que aqueles que não estavam em uso desta medicação.

Ou seja: usar atorvastatina sem saber se está mesmo usando não causou mais dores musculares do que não usar atorvastatina sem saber se está usando. Mas usar atorvastatina sabendo que está usando causou mais dores musculares do que não usar.  Houve um excesso de relato de efeitos adversos musculares apenas quando pacientes e seus médicos estavam sabendo que a terapia com estatina era aplicada, e não quando o uso era cego.

Isto evidencia como nossa mente pode nos enganar e criar um sintoma. Hoje em dia, com tantos relatos de efeitos colaterais de estatinas sendo divulgados pela mídia, a tendência é os usuários destas drogas cada vez mais sentirem estes efeitos.

 

Fonte: http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(17)31163-7/abstract

http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(17)31075-9/fulltext

 


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