Vinho versus água para diabéticos

vinho e agua

Um interessante estudo, denominado CASCADE, foi realizado a fim de medir o efeito do vinho sobre uma série de parâmetros de pacientes com diabetes. O trabalho foi conduzido por pesquisadores de Israel e publicado no periódico médico Annals of Internal Medicine.

224 pacientes diabéticos bem controlados, que não consumiam bebidas alcoólicas, foram separados por sorteio em 3 grupos, e cada grupo deveria consumir uma bebida diferente por 2 anos; um grupo recebeu água mineral, outro vinho branco e o outro vinho tinto, durante 2 anos; as bebidas foram fornecidas pelos pesquisadores e a quantidade de vinho era 150ml todas noites.

Após os 2 anos de seguimento, os indivíduos que consumiram diariamente vinho tinto apresentaram elevação do colesterol HDL (o bom) na faixa de 2mg/dl, elevação da apolipoproteina A1 (boa) em 0,03g/l. Tal efeito não foi observado com o vinho branco. Já os usuários de vinho branco apresentaram redução nos níveis de glicose no sangue (18mg/dl), efeito que não foi observado com vinho tinto. Os níveis de triglicerídeos foram reduzidos em ambos grupos de vinho, sendo a redução de 12mg/dl para o tinto e 8mg/dl para o branco.

Não houve alteração significativa na pressão arterial, quantidade de gordura, função do fígado ou sintomas entre os grupos de vinho e o grupo de água, exceto que a qualidade do sono foi melhor em ambos grupos de vinho (tinto e branco).

Um exame de sangue identificou quais os participantes que eram portadores de uma variação genética comum, a qual os transforma em metabolizadores lentos de álcool (demoram mais tempo para retirar o álcool de circulação). Os portadores desse gene (alelo ADH1B*1) obtiveram reduções muito mais importantes na glicose sanguínea, tanto com vinho tinto como branco, o que indica que talvez sejam os mais aptos a se beneficiar destas bebidas.

Os pesquisadores não descobriram ainda porque os efeitos dos vinhos branco e tinto foram diferentes. Imaginava-se resultados iguais para ambos grupos.

O estudo foi muito bem feito, randomizando voluntários para 3 grupos diferentes, servindo o grupo da água como controle. Infelizmente, porém, seriam necessárias algumas décadas de seguimento deste estudo para sabermos os efeitos a longo prazo da ingesta do vinho: será que as melhoras observadas nos exames de sangue nestes 2 anos corresponderiam a redução de mortes ou complicações graves? É tentador supor que sim, porém o álcool pode ter outros efeitos a longo prazo que se sobreponham aos benefícios aqui mostrados. Assim mesmo, são dados encorajadores para se prosseguir com estudos maiores.

Fontes:

http://annals.org/article.aspx?articleid=2456121

http://www.medscape.com/viewarticle/852511


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