VEGETAIS “GOURMETIZADOS” SÃO OS PREFERIDOS

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Como resposta à epidemia de obesidade, muitos restaurantes estão tentando promover o consumo de alimentos mais saudáveis divulgando seus benefícios nutricionais nos cardápios ou com cartazes e anúncios. Ironicamente, porém, isso pode estar afastando os clientes destes alimentos, já que os as pessoas tendem a classificar os alimentos saudáveis como pouco saborosos, e acabam evitando consumir aquilo que tem um rótulo de “saudável”.

Para testar se o nome dado ao prato com vegetais influencia no seu consumo, pesquisadores da universidade de Stanford fizeram um experimento interessante num dos restaurantes daquela universidade, no outono de 2016, durante 46 dias úteis. A cada dia, os pratos com vegetais eram sorteados para receber um de 4 nomes: básico, saudável restritivo, saudável positivo ou “gourmetizado”. Não foi feita qualquer modificação no preparo ou apresentação destes pratos com vegetais, apenas o nome do prato foi modificado. A cada dia, pesquisadores anotaram o número total de pessoas que escolheu cada vegetal, e pesaram o total consumido.

Abaixo, exemplos dos 4 tipos de nomes para os pratos:

tabela

Lembrando que os nomes mudavam, mas os vegetais eram sempre OS MESMOS, preparados da MESMA MANEIRA.

Quando comparados aos dias em que os vegetais receberam seu nome básico, os dias com nomes “saudáveis restritivos” levaram a um MENOR consumo destes alimentos, porém a diferença foi pequena e não atingiu significância estatística.

Os nomes “saudáveis positivos” não trouxeram qualquer mudança importante no consumo de vegetais quando comparados ao nome básico.

Já os vegetais com nomes “gourmetizados” foram muito mais consumidos: 25% mais pessoas comeram vegetais quando eles levaram estes nomes, e quantidade total (peso) de vegetais consumidos era 23% maior com nomes “gourmetizados” quando comparados aos nomes básicos.

Os autores concluem que o uso de nomes “gourmetizados” levaram a um aumento importante no consumo de vegetais, sem que houvesse mudança na receita de preparo. Estes resultados desafiam a noção de que podemos estimular o consumo de alimentos saudáveis apenas ressaltando seus benefícios para saúde, e sugere que estratégias criativas de rotulagem destes alimentos devem ser introduzidas para aumentar seu consumo em adultos.

Ou seja, as vezes a imagem e ideia que se cria a respeito dos alimentos a serem consumidos é mais importante do que o alimento em si.

 

Obs: Agradeço à amiga e leitora Aline Swarowsky por indicar este estudo e aos familiares James Petterson e Vanessa Raddatz pelo auxílio na tradução.

Fonte: http://archinte.jamanetwork.com/pdfaccess.ashx?url=/data/journals/intemed/0/

 


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