Um medicamento que previne tanto câncer quanto infartos?

aaa

Há décadas sabe-se que os infartos são causados por obstruções nas artérias do coração, e que tais obstruções são placas de gordura, alimentadas pelo colesterol ruim (LDL) que se deposita nas placas e sofre INFLAMAÇÃO. Tentativas prévias de combater esta inflamação para evitar os infartos foram infrutíferas, e o tratamento desta patologia tem se baseado no manejo do LDL.

No Congresso Europeu de Cardiologia, em Barcelona, porém, uma nova porta de tratamento abre-se: um grande estudo, com uma medicação bloqueadora de inflamação, mostrou resultados benéficos. Trata-se do estudo CANTOS, que estudou 10.061 pacientes sobreviventes de infarto do miocárdio. Todos deveriam ter algum grau de inflamação detectável em exame simples de sangue (PCR-US de 2mg ou mais).  Foram sorteados para receber placebo ou CANAKINUMAB, uma injeção aplicada a cada 3 meses. CANAKINUMAB é um medicamento já existente, que inibe os efeitos inflamatórios da interleucina, e foi utilizado primeiramente para tratar gota, e depois para doenças raras autoimunes.

Após 4 anos de acompanhamento, os pacientes que receberam CANAKINUMAB obtiveram uma redução de 37% no nível de inflamação, e a chance de infarto, “derrame” ou morte cardiovascular caiu 15%, um resultado bem significativo para uma droga que não altera o colesterol.

Ao avaliar outros efeitos da medicação, os autores perceberam que a chance de câncer de pulmão caiu 39% nos usuários de CANAKINUMAB, chegando a cair 67% em um grupo que utilizou doses maiores deste medicamento.

Outros efeitos da droga: seus usuários sofreram menos casos de gota, osteoartrite, artrite e menos mortes por câncer. Por outro lado, a droga aumentou o número de mortes por infecção (0,31% x 0,18% ao ano).

Assim, o balanço dos efeitos foi muito favorável, e abriu uma grande discussão quanto à possibilidade de desenvolvimento de novas terapias para prevenir infarto e câncer. A droga em questão, entretanto, provavelmente não terá utilidade clínica imediata, pois, apesar de já estar disponível no Brasil, tem um custo proibitivo (nesta semana, pode ser encontrada em promoção em sites de farmácias, de R$ 61.000 por R$ 52.400 – este é o custo para cada dose trimestral).

Importante lembrar que, para prevenção de infarto e de câncer, existem medidas bem mais efetivas do que esta droga (atividade física regular, alimentação prudente, não fumar, manter peso adequado) e de custo infinitamente menor.

Para aqueles que seguem esperando a chegada de um medicamento capaz de “liberar” a necessidade de cuidar comida e fazer exercícios, lamento informar que este dia ainda está distante……

Fonte:

http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1707914#t=article

http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(17)32247-X/fulltext?elsca1=tlxpr

 


Comentários

Deixe um Comentário