Tratamento da apneia do sono falha em evitar infartos e derrames

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A apneia do sono é uma condição muito frequente, e costuma estar associada ao ronco. A palavra apneia significa “sem respiração”.  Chamamos de ronco quando a respiração é barulhenta devido ao estreitamento da passagem do ar pela garganta, durante o sono. E chamamos de apneia quando ocorre interrupção completa da passagem do ar pela garganta. Nestes casos, um observador perceberá que a pessoa “parou de respirar” enquanto dorme. Após diversos segundos sem respirar, a quantidade de oxigênio no sangue cai tanto que a pessoa começa a despertar e respira novamente. Quando isso acontece, o sono volta, e normalmente a pessoa não acorda completamente e nem percebe o que se passou. Pacientes portadores de apneia do sono grave chegam a sofrer uma apneia por minuto durante toda noite, tornando o sono cansativo ao invés de restaurador.

Estudos prévios mostraram que as pessoas que sofrem de apneia do sono morrem mais precocemente (link para http://clinicapetterson.com.br/o-ronco-que-pode-matar/). Então, há muito tempo supõe-se que o tratamento da apneia do sono evite estas complicações fatais, porém ainda não havia estudo testando esta hipótese.

Agora, no congresso europeu de cardiologia, pesquisadores australianos apresentaram o resultado do grande estudo SAVE, onde 2717 adultos que sofrem de apneia do sono moderada ou grave e também são portadores de doença cardíaca coronária ou cerebrovascular foram sorteados para receber ou não receber o tratamento mais eficaz para as apneias. O tratamento consiste no uso de uma máscara acoplada a um aparelho que gera pressão positiva de ar para dentro das vias aéreas do paciente enquanto ele dorme, evitando o colabamento da passagem do ar e impedindo as apneias. Tal equipamento denomina-se CPAP.

Após 3 anos e meio de seguimento, foi averiguado o número total de casos de infarto do miocárdio, derrame, morte cardiovascular ataque isquêmico cerebral transitório, internação hospitalar por insuficiência cardíaca ou ameaça de infarto, em ambos grupos. Para surpresa dos pesquisadores, o número de eventos foi mesmo em ambos grupos (o uso do CPAP não evitou as complicações pesquisadas). Os pacientes que utilizaram o CPAP, porém, relataram melhora do humor e redução do cansaço durante o dia, devido à melhor respiração durante a noite.

Esse resultado trouxe muita frustração para a comunidade médica, pois esperava-se que o uso do CPAP, por impedir a queda da taxa de oxigênio durante o sono, trouxesse uma redução significativa nas complicações descritas. Surgiram críticas a respeito do estudo, especialmente quanto ao número de horas de uso de CPAP durante a noite pelos pacientes, que parece ter sido baixo (3,3 horas, na média).

Há mais estudos grandes em andamento para testar a hipótese de que o tratamento da apneia do sono protege contra eventos graves, mas, enquanto isto, o CPAP não deve ser abandonado, pois sem dúvida ele melhora a qualidade do sono traz benefícios para o humor e disposição dos pacientes. Faz-se importante criar novos tratamentos para apneia, mais simples e aceitáveis do que o CPAP, a fim de que os pacientes possam usá-lo durante a noite toda.

 Fontes:

http://www.medscape.com/viewarticle/868055#vp_2

http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1606599#t=article


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