Stents x cirurgia cardíaca

stent

A cardiopatia isquêmica (entupimento das artérias coronárias do coração) é a doença mais comum no coração, e a que mais mata. O tratamento desta enfermidade engloba mudanças no estilo de vida (abandonar tabagismo, praticar atividade física regular, manter alimentação correta, etc) e também o uso de medicamentos, com o intuito de retardar sua progressão e evitar as complicações.
Porém, alguns pacientes que detectam a doença tardiamente necessitam também de um procedimento invasivo chamado de revascularização, para que o sangue consiga circular até todas regiões do coração, superando as obstruções nas artérias. O procedimento pode ser uma cirurgia de “pontes de safena”, onde o sangue é desviado pelas “pontes”, ou então pode ser uma angioplastia com implante de stent (mais conhecido como “molinha”).
Há décadas a cardiologia debate qual o melhor tratamento: cirurgia ou stents? Os estudos realizados até agora sempre mostraram superioridade da cirurgia, porém, cada vez que surge uma nova geração de stents, mais modernos, a questão é reaberta, pois supõe-se desempenho cada vez melhor dos stents.
O periódico médico New England Journal of Medicine acaba de publicar o estudo mais recente sobre o assunto, comparando cirurgia com os stents recobertos de segunda geração (os mais modernos). O estudo foi realizado no sudeste asiático, com 27 hospitais, onde 880 pacientes que necessitavam revascularização no coração (com no mínimo 2 obstruções distintas) foram sorteados para serem tratados com cirurgia de ponte de safena ou stents. Após 4 anos e meio de seguimento deste grupo, os pacientes sorteados para cirurgia saíram-se melhor, sofrendo menos infartos, menos mortes e menos necessidade de nova revascularização.
A busca pelo melhor método de tratamento prossegue, mas até o momento os stents, por mais que tenham evoluído, ainda não conseguiram reproduzir o efeito benéfico desta antiga cirurgia, em pacientes com múltiplas obstruções nas artérias coronárias. Cabe lembrar, porém, que há muitos casos onde a cirurgia não é possível e os stents são úteis.

Fonte:  http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1415447?query=featured_home


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