Stents recobertos não evitam infartos

stent

30 anos após o surgimento dos stents coronarianos, seu uso ainda é debatido. Os stents são pequenas armações de metal inseridas por catéter dentro de artérias obstruídas no coração, a fim de mantê-las abertas, melhorando o fluxo de sangue. Trata-se de um tratamento muito popular dentre os doentes com entupimentos nestas artérias (artérias coronárias), e muito eficaz para redução de angina (dor no coração aos esforços). Neste link, há um vídeo que demonstra claramente o procedimento http://clinicapetterson.com.br/angioplastia-e-stents/.

Devido ao fato de que em até 20% dos casos existe uma cicatrização exagerada no local do implante do stent, levando a uma nova obstrução, nos primeiros anos do séc XXI foram desenvolvidos os stents recobertos, os quais liberam uma droga lentamente no local, durante meses após o seu implante; esta droga reduz muito a chance de uma nova obstrução por  cicatrização excessiva. Estes stents recobertos, porém, tem um custo muito maior, e exigem o uso de medicamentos especiais durante longo períodos, motivo pelo qual não se tornaram o “tratamento padrão” quando for necessário desobstruir uma artéria coronária.

Ao contrário do que muitos pensam, o implante de stents comuns no coração (fora de situações de emergência) não reduz a possiblidade de infarto do miocárdio e tampouco prolonga a vida. Isto já foi demonstrado inúmeras vezes, em repetidos estudos. Porém, os defensores dos stents recobertos, por serem dispositivos mais modernos, têm alegado que este tipo de prótese seria sim capaz de evitar infartos ou a morte.

Finalmente, no Congresso Europeu de Cardiologia, um trabalho foi apresentado esclarecendo esta questão. Trata-se do estudo norueguês NORSTENT, onde 9013 pacientes que necessitavam implante de stent coronariano foram sorteados para receber o stent comum ou o stent recoberto. Após 6 anos de seguimento destes indivíduos, a chance de sofrer um infarto ou morrer foi a mesma nos dois grupos, sendo que a única diferença significativa foi uma previsível redução na necessidade de tratar novos entupimentos no mesmo local (re-entupimentos pela cicatrização excessiva): 19,8 x 16,5%.

Ou seja, os modernos stents recobertos também não são capazes de proteger contra infartos ou contra a morte; seguem sendo indicados apenas, fora as situações de urgência, para controle da angina de peito, com uma pequena vantagem sobe os stents comuns: menos chance da necessidade de uma segunda intervenção posterior. Cobram esta vantagem através de um custo muito maior e da necessidade de uso prolongado de medicamentos.

 

Fonte:

http://www.medscape.com/viewarticle/868212

http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1607991#t=article

 


Comentários

Deixe um Comentário