Relatos exagerados de perigos da estatinas trazem risco para pacientes

estatinas

As estatinas, o principal grupo de medicamentos redutores de colesterol, tem importante e comprovado efeito em reduzir a incidência de infartos, derrames (AVCs) e mortes, e estão entre os medicamentos mais prescritos no mundo. Porém, a imprensa leiga e a internet costumam noticiar com grande destaque e exagero qualquer notícia desfavorável a essa classe de medicamentos.

Um estudo dinamarquês, recém-publicado, avaliou o efeito destes destaques na mídia sobre o tratamento dos pacientes.  Os autores identificaram 675.000 pessoas que receberam início de tratamento com estatinas entre 1995 e 2010. Destes, 91.000 suspenderam o tratamento nos primeiros 6 meses. Na mesma época, os pesquisadores identificaram 1931 histórias sobre estatinas na mídia dinamarquesa, que foram classificadas como negativas (110) neutras (1090) ou positivas (731).

Ao correlacionar a exposição às notícias da mídia com o uso destas drogas ou suspensão do tratamento, os autores descobriram que quando a mídia estava dominada por histórias negativas a respeito das estatinas, pacientes que estava começando o tratamento com essas drogas tinham 9% mais chance de não continuar o tratamento. Pacientes que foram expostos a notícias positivas tiveram 8% menos chance de suspender o tratamento. Além disso, comparando-se os pacientes com seguiam o tratamento corretamente com aqueles que suspenderam as estatinas, estes últimos tinham chance 26% maior de sofrer um infarto e 18% maior de morrer.

Este estudo indica que, mesmo num país de primeiro mundo, onde a população supostamente é muito escolarizada e esclarecida, notícias veiculadas pela mídia leiga podem ter valor maior do que o aconselhamento médico, e levar uma proporção importante dos indivíduos a modificar seu tratamento medicamentoso, com resultados desastrosos.

O paciente deve guiar seu tratamento pelas orientações do médico, e sempre analisar as manchetes da mídia leiga com cautela. Somente uma análise profunda e cuidadosa dos dados científicos, realizada por um profissional, é que pode determinar qual o melhor tratamento a ser recomendado.

Fontes

http://www.medscape.com/viewarticle/855657#vp_2

http://eurheartj.oxfordjournals.org/sites/default/files/pdf/ehv641.pdf


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