Proibir gorduras trans deu bons resultados

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As gorduras industriais trans (ácidos graxos trans, AGTs) representam uma parte significativa da dieta moderna. Os AGTs são gorduras insaturadas que sofrem uma modificação química industrial, e são usadas primariamente para produtos de panificação, pães, biscoitos, frituras, bolos, bolachas, margarinas e batatas fritas. Seu consumo é associado a efeitos deletérios no organismo, como redução dos níveis de colesterol bom (HDL), aumento de colesterol ruim (LDL) e triglicerídeos, além de elevação em níveis de inflamação no sangue. Estudos observacionais indicaram que o consumo de AGTs aumenta o risco de “derrame”, infartos e morte súbita.

Na vanguarda dos grandes centros metropolitanos, a cidade de Nova Iorque, nos EUA, baniu o uso de AGTs em restaurantes e lanchonetes a partir de 2007. Outros municípios vizinhos seguiram este exemplo, e foram proibindo AGTs nos anos posteriores.

Um artigo original, publicado recentemente no periódico JAMA Cardiology, analisou o efeito desta proibição na saúde da população, comparando os municípios que proibiram AGT com os que não proibiram.

Foram analisados os casos de infarto e “derrame” que ocorreram nesta população de quase 8,5 milhões de adultos ao longo de 8 anos, onde 11 municípios declararam proibição a AGTs e 25 mantiveram o uso de AGTs em restaurantes.

Os resultados indicaram que, após 3 anos, as populações que viviam em áreas com restrição de AGTs passaram a ter uma redução de 7,8% na quantidade de infartos e 3,6% na quantidade de derrames, comparado ao que ocorreu nas regiões sem restrições de AGTs.

Os números são expressivos, e correspondem a milhares de vidas salvas em poucos anos. Mas é importante lembrar que as AGTs foram banidas apenas de restaurantes, bares, lanchonetes e similares; continuaram sendo permitidos para venda em supermercados, como ingrediente para uso doméstico e como produtos prontos (pacotes de bolachas, por exemplo); supõe-se que, caso a proibição fosse total, a redução de eventos seria muito mais expressiva. Em 2018, os EUA planejam banir completamente esse ingrediente na indústria alimentícia do país.

Os AGTs vêm sendo usados na alimentação humana desde 1910, com uso maciço após 1950. Já em 1956 sugiram os primeiros indícios de que poderiam ser maléficos à saúde, e somente agora, mais de 60 anos e milhões de mortes depois, começam a ser banidos. Um processo lento demais, mas que costuma ser a regra quando o assunto é alimentação: novas “comidas” feitas em laboratório costumam sem aprovadas rapidamente para venda, após curtos estudos; e somente depois de serem amplamente consumidas passam a ter seus reais efeitos conhecidos.

No Brasil, apesar de o governo ter tomado medidas para redução dos AGTs nos alimentos, eles ainda seguem presentes, e, devido a artimanhas dos fabricantes, muitas vezes não estão descritos nos rótulos dos alimentos.

Então, para manter uma alimentação saudável, novamente a mesma regra: não coma alimentos industrializados ou fabricados com ingredientes industriais. A natureza testou seus alimentos durante mais de 2.000.000 de anos, eles são seguros. Ingredientes com poucas décadas de uso têm efeito incerto na saúde.

Fontes:

 http://jamanetwork.com/journals/jamacardiology/article-abstract/2618359

https://pt.wikipedia.org/wiki/Gordura_trans

 


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