Os efeitos colaterais dos medicamentos para colesterol (estatinas)

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As estatinas, medicamentos utilizados para redução de colesterol, estão entre as medicações mais prescritas no mundo inteiro, e o número de usuários segue aumentando. Assim como outras drogas, seu uso também pode ocasionar paraefeitos. Porém, por serem drogas de uso tão amplo, muitos paraefeitos já relatados na verdade não são ocasionados pelo medicamento em si, mas sim sintomas comuns com outras origens. A bula das estatinas traz uma infinidade de possíveis reações, uma lista extensa, que cobre quase qualquer sensação que o usuário venha a ter. Frequentemente, por encontrar seu sintoma relatado na bula, o paciente considera que ele foi desencadeado pelo medicamento.

A única maneira precisa de determinar os reais paraefeitos de determinada medicação é submetê-la a um estudo científico chamado de “duplo-cego”, onde os participantes recebem o medicamento a ser testado ou então cápsulas de placebo (sem conteúdo ativo), durante um longo prazo, e os sintomas relatados pelos pacientes são registrados. O paciente não sabe se está recebendo o remédio verdadeiro ou o placebo, e tampouco o médico que está registrando os sintomas sabe. Somente ao término do estudo, após todos os sintomas terem sido relatados e registrados, é que se revela quem recebeu medicamento e quem recebeu placebo. Assim, evita-se que o paciente ou o médico sejam induzidos a relatar determinados efeitos colaterais que acreditam de antemão que podem ser causados pelo medicamento em estudo.

Tais estudos já foram feitos dezenas de vezes com as estatinas, e agora, os pesquisadores britânicos Judith Finegold, Charlote Manisky e colaboradores, de Londres, compilaram os resultados de todos estes estudos e publicaram os resultados no Jornal Europeu de Cardiologia Preventiva. No total, 29 grandes estudos foram agrupados, somando quase 74.000 participantes.

O efeito adverso mais comentado das estatinas é a dor muscular. Praticamente todos médicos acreditam que as estatinas causem dor muscular. Porém, na análise publicada, a chance de relato de dores musculares foi 4,8% com estatinas e 4,6% com placebo (diferença insignificante do ponto de vista estatístico). Os números para “dores nas costas” foram 9,4 e 8,6%, outra diferença insignificante. Foram avaliados também dor de cabeça, incômodos digestivos, doenças renais, novos casos de câncer e até suicídio. Para todos estes itens, a chance de ocorrência foi a mesma para pacientes em uso de estatina e em uso de placebo.

A única diferença percebida, em termos de efeitos adversos, não foi um sintoma, e sim um achado laboratorial: 1,9% dos pacientes em uso de estatina apresentaram alterações nos exames de sangue relacionados aos fígado (transaminases), contra 1,5% no grupo do placebo (diferença com significado estatístico).

Assim, os autores concluem que seria mais conveniente se a bula do remédio listasse apenas os paraefeitos que o medicamento pode causar a mais do que o placebo, ao invés da extensa lista de sintomas presente atualmente, o que leva muitos pacientes a creditarem erroneamente ao medicamento diversas queixas.

Fonte: http://cpr.sagepub.com/content/21/4/464.full.pdf+html


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