Obesidade e emulsificantes artificiais

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Reproduzo abaixo o resumo adaptado do interessantíssimo estudo de pesquisadores americanos e israelenses publicado no periódico Nature em março, a respeito do uso emulsificantes na fabricação de alimentos, e seus efeitos no intestino humano:
“O trato intestinal dos mamíferos (inclusive humanos) é habitado por uma grande e diversificada comunidade de micróbios coletivamente chamados de microbiota intestinal. Enquanto a microbiota intestinal proporciona importantes benefícios para seu hospedeiro, especialmente no metabolismo e desenvolvimento imunológico, a perturbação da relação microbiota-hospedeiro está associada a inúmeras doenças inflamatórias crónicas, incluindo doença inflamatória do intestino e doenças relacionadas à obesidade (síndrome metabólica).

Um meio primário pelo qual o intestino é protegido contra a sua microbiota é através de estruturas de camadas múltiplas de muco que revestem a superfície do intestino, permitindo assim, que a grande maioria das bactérias possa ser mantida a uma distância segura. Desta maneira, os agentes que perturbam a interação entre este muco e as bactérias têm o potencial para promover a doenças associadas com a inflamação intestinal. Por conseguinte, foi levantada a hipótese de que os emulsionantes, moléculas tipo detergente que são um componente extremamente comum de alimentos processados, ​​poderiam aumentar o contato das bactérias com as células do intestino ou até mesmo sua passagem para a circulação sanguínea, explicando o grande aumento dos casos de doença intestinal inflamatória observada desde os meados do século XX.
Neste estudo, mostramos que, em camundongos, concentrações relativamente baixas de dois emulsionantes comumente utilizados, ou seja, carboximetilcelulose e polissorbato-80, promoveram inflamação, obesidade e síndrome metabólica em animais selvagens; e também levaram à severa colite (inflamação do cólon) em camundongos com predisposição para esse distúrbio. A síndrome metabólica induzida por emulsificantes foi associada com a invasão de bactérias para circulação sanguínea, alteração na composição das espécies bacterianas intestinais e aumento do potencial pró-inflamatório. Uso de ratos livres de germes e transplantes fecais indicaram que tais mudanças na microbiota eram necessárias e suficientes para promover tanto a inflamação quanto a síndrome metabólica.
Estes resultados suportam o conceito emergente que perturbar as interações microbiota-hospedeiro, resultando em inflamação de baixo grau, pode promover obesidade e seus efeitos metabólicos associados. Além disso, eles sugerem que o amplo uso de agentes emulsionantes pode estar contribuindo para um aumento da incidência social da obesidade, síndrome metabólica e outras doenças inflamatórias crônicas.”

Os autores desvendaram um mecanismo plausível a partir do qual um componente quase universal dos alimentos processados pode causar doença intestinal séria, além de aumentar a chance de obesidade, elevação de colesterol, triglicerídeos, diabetes, hipertensão arterial, “derrame” e infarto. Apesar de o estudo ter sido realizado em ratos, os resultados serão muito provavelmente reproduzidos em humanos. Inúmeros outros conservantes, aromatizantes, corantes e aditivos também podem ter efeitos deletérios na saúde humana caso sejam testados de maneira semelhante.
Ou seja, até prova em contrário, a comida mais saudável é aquela que não saiu de uma fábrica, mas sim da natureza.

Fonte: http://www.nature.com/nature/journal/v519/n7541/full/nature14232.html#affil-auth

 


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