NOVO REMÉDIO PARA COLESTEROL TEM EFICÁCIA COMPROVADA

omega3petterson

Uma notícia há muito tempo aguardada pela comunidade cardiológica: um novo medicamento para colesterol conseguiu reduzir a taxa de infartos e derrames em um estudo de longo prazo. O estudo foi apresentado nas Sessões Científicas do Colégio Americano de Cardiologia, em Washington.

A medicação em questão chama-se evolocumabe, e já é comercializada no brasil, com o nome de Repatha®. É um medicamento injetável, projetado para que qualquer leigo possa aplicá-lo facilmente. A dose recomendada é de uma injeção subcutânea (como a insulina) a cada 2 semanas, ou 3 injeções uma vez ao mês.

No mega-estudo apresentado, chamado FOURIER, mais de 27.000 participantes foram sorteados para receber a medicação injetável ou placebo (placebo injetável, idêntico ao medicamento original) durante 2 anos.  Para participar do estudo, foram selecionadas pessoas que já sofriam de doença cardíaca, e que já usavam estatinas (remédios para colesterol) em doses moderadas ou altas.

Sabia-se de antemão que a medicação reduzia (e muito) o colesterol ruim (LDL) no sangue; de fato, os níveis médios de LDL dos participantes baixou de 92 mg/dL (um valor não considerado alto) para 30 mg/dL (um valor baixíssimo); o fato inédito é que o estudo mostrou, como imaginado, que após 2 anos de uso o número de infartos foi 27% menor em quem recebeu o medicamento, e o número de “derrames” foi 21% menor.

Havia muita preocupação em detectar complicações advindas de uma redução tão importante nos níveis de colesterol no sangue, mas, em 2 anos, não houve qualquer diferença neste quesito entre os usuários do medicamento contra os usuários do placebo.

Os resultados do estudo foram tão bons quanto o mais otimista pesquisador poderia imaginar, pois eram pacientes muito bem tratados com as medicações já existentes, portanto indivíduos cujo perigo de sofrer infartos e “derrames” já havia sido reduzido de forma considerável.

Restam, porém, questões muito importantes a serem respondidas ou consideradas:

  • O custo do medicamento, no momento, é absolutamente proibitivo para a grande maioria dos brasileiros.
  • Os efeitos a longo prazo (5 ou 10 anos) ainda são desconhecidos: não podemos descartar que surjam efeitos adversos significativos com o uso prolongado; obviamente, levará muito tempo para que saibamos isto.
  • O estudo foi realizado em pacientes que já usavam estatinas para reduzir colesterol; não sabemos se os resultados seriam os mesmos em pacientes sem estatinas (pacientes com alergia ou intolerância às estatinas, por exemplo).

Portanto, agora os médicos dispõem de 3 tipos de medicamentos diferentes que, além de reduzirem os níveis de colesterol ruim (LDL) no sangue, também evitam infartos e derrames: as estatinas, o ezetimibe e o evolocumabe.  Outros medicamentos da categoria do evolocumabe estão sendo testados no momento.
Fonte:

Sabatine MS, Giugliano RP, Keech AC, et al. Evolocumab and clinical     outcomes in patients with cardiovascular disease. N Engl J Med     2017; DOI:10.1056/NEJMoa1615664.


Comentários

Deixe um Comentário