Nenhuma quantidade de álcool é segura

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Pelo menos quando o assunto é câncer, esta afirmativa é verdadeira. É o que conclui o recém publicado 2014 World Cancer Report (WCR), da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer da Organização Mundial da Sáude (OMS). Desde 1988 esta agência define o álcool como carcinogênico (isto é, causador de câncer).

Está definido há muito tempo que a ingesta de álcool causa alguns tipos de câncer, como de boca, faringe, laringe, esôfago, reto, cólon, fígado e mama. Para outros tipos de câncer, a ligação com álcool também existe mas foi descoberta mais recentemente: pâncreas, leucemia, mieloma múltiplo, colo de útero, vulva, vagina, pele, bexiga, pulmão e estômago.

A má notícia é que existe correlação com câncer mesmo para quem bebe pouco álcool: uma análise de 222 estudos comparando 92.000 “bebedores leves” com 60.000 pessoas que não bebiam álcool mostrou que o uso leve de álcool esteve associado a maior risco de câncer de orofaringe, esôfago e câncer de mama. De acordo com estes dados, estima-se que, em 2004, no mundo inteiro 44.000 pessoas teriam falecido por câncer relacionado ao consumo leve de álcool. Consumir álcool em pequenas quantidades não esteve associado a câncer de cólon, reto, fígado e nem laringe.

O risco relativo de desenvolver um câncer associado ao álcool depende do local onde o álcool ingerido entra em contato com o corpo. O álcool entra primeiro em contato com a cavidade oral e logo depois o esôfago, então para estes locais o risco é maior. Depois vêm o cólon, reto e fígado, e o risco para estes locais é um pouco menor do que para os primeiros.

O tipo de álcool não importa: vinho, cerveja, destilados, todos causam câncer igualmente. A exceção é o câncer de esôfago: este órgão parece ser mais sensível a altas concentrações de etanol, como aquelas encontradas nos destilados fortes. Então, para câncer de esôfago, os destilados concentrados têm maior correlação.

Apesar dos dados acima, sabe-se que consumir álcool moderadamente e regularmente tem efeito protetor contra doenças cardiovasculares, e muitas vezes seu consumo é encorajado com este propósito. Este efeito, porém, depende de um consumo consistente e leve a moderado, sem episódios esporádicos de uso intenso de álcool (bebedeiras). O padrão ideal parece ser consumo diário ou quase diário de vinho tinto, antes ou durante as refeições. Neste caso porém, consumir mais álcool não é melhor: uso intenso de álcool provoca hipertensão, arritmias perigosas, isquemia cerebral, hemorragia cerebral e insuficiência cardíaca. Importante lembrar que existem outras formas de reduzir o risco cardiovascular, sem o efeito colateral de aumentar o risco de câncer.

Recomendações para indivíduos que desejam minimizar o risco grande de câncer devido ao consumo de álcool:

• Monitore seu consumo de álcool (saiba quanto está bebendo por semana, por exemplo). Tenha esse número em mente, assim como já é recomendado para sua pressão arterial, seu colesterol, etc.

• Limite o consumo diário a 20g (180ml de vinho, 400ml de cerveja ou 50ml de cachaça, conhaque e uísque) para homens e 15g para mulheres (140ml, 300ml e 40ml).

• Menos é mais: menos consumo de álcool está relacionado a mais saúde e mais longevidade

• Faça um parada: uma pausa de 1 ou 2 dias por semana pode ajudar o fígado a recuperar-se dos efeitos do álcool e reduz o risco de complicações hepáticas.

Fontes: http://www.medscape.com/viewarticle/824237

Rehm J, Shield K. Alcohol consumption. In: Stewart BW, Wild CB, eds. World Cancer Report 2014. Lyon, France: International Agency for Research on Cancer; 2014


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