MEDINDO A PRESSÃO ARTERIAL NO DEDO

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A história da aferição da pressão arterial é marcada por uma evolução muito lenta, quando comparada ao resto da medicina.  Na virada do séc. XIX para o séc. XX é que os modernos esfigmomanômetros foram desenvolvidos, e, de fato, o equipamento utilizado ainda hoje pela maioria dos médicos é essencialmente o mesmo de mais de 100 anos atrás. 

Houve progressos, porém, na área da medicação automática da pressão arterial, e a introdução destes aparelhos automáticos tornou possível a medição ambulatorial de 24 horas da pressão, a qual mostrou-se de inestimável valor para o diagnóstico e acompanhamento da hipertensão, sendo hoje maciçamente utilizada (https://youtu.be/YsRp5AIhqIs) – o princípio básico destes monitores, porém, é o mesmo do método tradicional, com um manguito inflável “apertando” o braço do paciente.  

Agora, pesquisadores Japoneses publicaram no periódico médico JACC: Basic to Translational Science o resultado do primeiro estudo com 172 pacientes utilizando-se um método inovador de aferir a pressão arterial, baseado em fotopletismografia (um sensor e um emissor de luz instalados em um dedo do paciente, é o sensor azul na figura abaixo). 

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Através de um algoritmo proprietário, a medida das mudanças pulsáteis no volume de sangue do dedo, feita através de um feixe de luz, é transformada em uma estimativa de pressão arterial. No estudo em questão, a pressão foi medida ao mesmo tempo no braço oposto, com um aparelho usual, e confrontada com o resultado do novo sistema. Os valores foram extremamente semelhantes, com mínimas diferenças detectadas. Porém, ao instalar o sistema, ainda é necessária uma medida convencional de pressão para “calibrar” o novo aparelho. 

Mesmo com a limitação mencionada acima, se o sistema novo seguir mostrando-se robusto, seria de enorme valia no monitoramento ambulatorial da pressão arterial, pois o paciente poderia manter o sensor no dedo por longos períodos e ter sua pressão continuamente monitorada. Outra grande utilidade seria em ambiente hospitalar, blocos cirúrgicos, UTIs, etc. 

Já é possível vislumbrar o desaparecimento do esfigmomanômetro nas próximas décadas, e assim mais um dos símbolos da medicina tradicional vai desaparecer, mesmo destino que parece traçado para o estetoscópio. Tudo indica que nossos descendentes verão estes equipamentos como símbolos de um passado remoto onde a medicina ainda era primitiva…. 

Fonte: https://www.medscape.com/viewarticle/891474#vp_2 


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