Mais mortes quando a estatina é suspensa por “efeitos colaterais”  

post0908

O objetivo final da prescrição de estatinas (remédios para colesterol) é evitar a ocorrência de morte, ou infarto, no usuário. Ao contrário do que muitos ainda pensam, o objetivo não é melhorar o resultado do exame de sangue.

Para evitar morte ou infarto, é necessário um longo período de uso destes medicamentos, e cabe ao médico avaliar quem são as pessoas que necessitam desta poderosa arma para evitar tais desfechos.  Mas, uma vez iniciado o tratamento, é necessário que o paciente siga usando o medicamento por muitos anos (normalmente, não há prazo para terminar o tratamento, ou seja, é “para sempre”).

Infelizmente, nesta era de boatos pela internet, muitos pacientes suspendem o tratamento, às vezes por supostos efeitos colaterais. Sabe-se que, na maioria das vezes, os efeitos colaterais atribuídos às estatinas não são realmente causado por elas (http://clinicapetterson.com.br/voce-acha-que-o-remedio-para-colesterol-causa-efeitos-adversos/). Tais pacientes perderão o benefício a longo prazo do tratamento, e um estudo recente indica o tamanho do prejuízo:

Autores chineses coletaram em um banco de dados todos os casos de supostos efeitos adversos ao uso de estatinas no período de 2000 a 2011, totalizando mais de 28.000 pacientes. Deste total, 70% retomaram o uso de estatinas após o suposto efeito adverso, e os outros 30% ficaram sem o medicamento.

Seguindo-se estes pacientes por quatro anos após a interrupção do tratamento por efeitos adversos, constatou-se que a chance de morte foi 21% MENOR no grupo que RECOMEÇOU o tratamento com estatinas, quando comparado ao grupo que não usou mais o medicamento. A chance de infarto, AVC ou morte foi 13% MENOR.

Assim, constata-se que a maioria dos pacientes que tem uma “suposta reação adversa” a estes medicamentos, consegue retomar seu uso a longo prazo. E, aqueles que não recomeçam seu uso, sofrem muitos mais eventos graves, o que indica que as estatinas são mesmo eficientes, e estavam bem indicadas neste grupo estudado.

Infelizmente, a negação do benefício das estatinas, que se tornou um culto alimentado pela internet, está causando mortes desnecessárias. É muito importante checar a origem das informações que recebemos pela internet, uma GRANDE PARTE não é confiável.

 

Fonte:

http://www.medscape.com/viewarticle/883407


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