IRIDOLOGIA TESTADA

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A prática da iridologia ainda atrai muitas pessoas, dispostas a pagar por um suposto diagnóstico de saúde baseado na aparência da íris. Os diferentes métodos de “ler” a íris foram desenvolvidos desde muito séculos atrás, quando grande parte das doenças modernas sequer eram conhecidas, e não possuem qualquer embasamento científico. A íris funcionaria como um “mapa” do que acontece no restante do corpo.  Grande parte dos médicos e cientistas consideram pura perda de tempo pesquisar sobre este assunto, já que não há qualquer base para que funcione.

Mesmo assim, ainda existem iridólogos, e indivíduos que investem seu tempo e dinheiro consultando-os. Uma pesquisa indica que existem (poucos) estudos científicos bem-feitos, mas que comprovaram a farsa da iridologia:

No primeiro estudo, de 1979, foram selecionados 95 pacientes sem doença renal e 48 com doença renal importante. Em todos foram realizadas fotografias de ambos olhos, e três iridologistas analisaram as fotografias para tentar definir quem tinha e quem não tinha doença renal. Além disto, três oftalmologistas fizeram a mesma análise. Os resultados mostraram que houve cerca de 50% de acertos e 50% de erros em cada grupo, ou seja, o método não foi capaz de detectar os doentes sequer com um mínimo de eficácia.

O segundo estudo, de 1998, avaliou a capacidade da iridologia em detectar cálculos na vesícula. De acordo com esta prática, tal patologia seria facilmente identificável por certos sinais na parte inferior e lateral da íris do olho direito. Então, fotografias do olho direito de 39 pacientes com cálculos na vesícula foram obtidas, e misturadas com 39 fotografias do olho direito de pacientes sem esta patologia. Cinco iridologistas interpretaram as fotos e tentaram diagnosticar quem sofria de cálculos biliares. Os resultados mostraram que houve cerca de 50% de acertos e 50% de erros, ou seja, a leitura da íris não conseguiu mostrar quem sofria da doença. Além disso, houve grande discordância entre os 6 iridologistas, e nenhum deles isoladamente foi um bom diagnosticador. O rendimento da leitura da íris foi zero.

No terceiro e mais recente estudo, de 2005, 110 pacientes participaram, sendo 68 portadores de câncer e 42 indivíduos sem câncer. Desta vez, o reconhecido iridólogo participante, com vários anos de prática, pôde examinar pessoalmente os olhos dos pacientes, porém não foi permitido ver o corpo deles (estavam cobertos) e nem conversar com eles, o que foi confirmado por um observador presente em todos exames. Após examinar os olhos dos participantes por uma média de 12 minutos cada, o renomado iridólogo pode fixar até 5 diagnósticos por paciente, pois muitos portavam outras patologias além de câncer. Findo o estudo, os dados mostraram que o iridólogo acertou apenas 3 diagnósticos no total. Um número desprezível num grupo deste tamanho. A chance de acerto foi a mesma que o acaso, ou que um sorteio. Talvez um sorteio fosse mais eficaz, na verdade.

Os estudos citados acima apenas comprovam aquilo que qualquer pessoa com mínimo conhecimento de biologia ou medicina tem certeza: iridologia não funciona! É uma perda de tempo e de dinheiro. E, caso algum paciente deixe de procurar outros recursos, ou abandone um tratamento devido à iridologia, esta prática pode também ser perigosa.

 

Fontes:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/3147081

https://jamanetwork.com/journals/jama/article-abstract/366685

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15992238


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