Hipertireoidismo e o coração

tireoide

No final de abril, no congresso Europeu de Endocrinologia, o Dr. Christian Selmer, da Dinamarca, apresentou o resultado da análise de funcionamento da tireóide em 574.595 pessoas. Os hormônios da tireóide foram dosados em todos, e essa população foi acompanhada através de registros nacionais de saúde. Os resultados mostraram que 95,9% das pessoas tinham dosagem normais, 2,4% hipotireoidismo (“tireóide preguiçosa”) e 1,8% hipertireoidismo (“tireóide acelerada”).

O acompanhamento mostrou que esses 1,8% com hipertireoidismo sofreram 20% mais mortes cardíacas do que aqueles com tireóide normal, e tiveram 30% mais chance de sofrer uma arritmia cardíaca importante, chamada de fibrilação atrial, especialmente mulheres. O mais importante foi que esse aumento de arritmias e mortes se deu também nos pacientes que não tinham sintomas de hipertireoidismo (os casos mais “leves”).

Já se sabia há muito tempo que o hipertireoidismo levava a complicações cardíacas, mas nunca se havia demonstrado com tanta clareza que há um aumento expressivo no número de mortes em decorrência dessa patologia.  Assim, existe agora um precedente para que os médicos solicitem exames de tireóide em check-ups, mesmo que o paciente não tenha sintomas de tireóide, já que as complicações ocorrem mesmo nos casos mais leves. Importante salientar que este não foi um estudo de tratamento de hipertireoidismo. Ou seja, não é possível afirmar com certeza que tratando a tireóide as mortes cardíacas serão evitadas.

Fontes:
BMJ 2012;345:e7895 The spectrum of thyroid disease and risk of new onset atrial fibrillation: a large population cohort study – http://www.bmj.com/content/345/bmj.e7895
Subclinical hyperthyroidism and risk of cardiovascular and all-cause mortality – http://www.endocrine-abstracts.org/ea/0032/ea0032OC3.6.htm


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