FOSFOETANOLAMINA (PÍLULA DO CÂNCER) TEM SEU ESTUDO PUBLICADO

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Durante os anos de 2015 e 2016, a Fosfoetanolamina esteve onipresente no noticiário nacional, pois seria a “cura para o câncer”: o medicamento, produzido e distribuído há 20 anos pelo Grupo de Química Analítica e Tecnologia de Polímeros da Universidade de São Paulo (USP), era usado para tratamento de câncer por pacientes desinformados ou desesperados, sem que houvesse qualquer comprovação de sua eficácia. A suspensão de sua distribuição causou grande revolta nas redes sociais, sendo que diversas pessoas relataram “cura de câncer” com seu uso e garantiam que ela funcionava, e um grande grupo de pessoas desinformadas bradavam que a pílula deveria ser liberada. Políticos abraçaram a causa e defenderam a continuidade de sua distribuição.  Muitos alegaram que se tratava de uma conspiração de laboratórios para impedir que a Fosfoetanolamina usurpasse seus lucros.

Finalmente, em 2016, o Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp) iniciou um estudo com esta droga, em pacientes com tumores sólidos. A pesquisa teve como objetivo primário avaliar a taxa de resposta dos participantes que utilizavam a fosfoetanolamina como único tratamento.

Primeiramente, foi feita uma análise de segurança com 10 pacientes que utilizaram o produto por 1 mês – como não houve sinais de toxicidade, os testes prosseguiram, incluindo 73 pacientes acompanhados entre julho de 2016 e março de 2017. Todos tinham diagnóstico de câncer confirmado, e um quadro não passível de tratamento curativo. Eram casos de câncer de cólon, melanoma e mama, entre outros.

Após 16 semanas de uso, os resultados foram decepcionantes: apenas um dos pacientes (1,3%) apresentou sinais de remissão parcial dos tumores. Quanto aos eventos adversos, não houve casos graves, sendo os mais comuns anemia, alterações hepáticas, obstipação, dor, fadiga, náuseas e vômito.

Como nem ao menos 20% dos participantes apresentaram taxa de resposta, o recrutamento foi suspenso.

O estudo foi apresentado no 20° Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, realizado no Rio de Janeiro no final de outubro. Durante debate, o Dr. Paulo Hoff, diretor-geral do Icesp declarou que o resultado observado na pesquisa “é extremamente desapontador”, afirmando que a equipe “tem muito pouco interesse em continuar”, e acrescentou: “em um cenário no qual novas drogas, tal como a imunoterapia, vêm revelando resultados promissores, a significância de uma resposta em 72 casos é questionável. Outros estudos podem ser desenhados e elaborados por outras equipes. No entanto, creio que dificilmente uma pequena modificação na dose ou no regime trará grandes modificações nos resultados”.

Agora que o estudo foi apresentado e os dados revelados, os defensores da Fosfoetanolamina já não se manifestam mais. Lamentavelmente, foram 20 anos divulgando falsas esperanças. Talvez muitas pessoas tenham abandonado tratamentos convencionais para câncer, com eficácia comprovada, para apostar neste medicamento de efeitos até então incertos. Em pleno século XXI, é intrigante que tantas pessoas ainda não entendam as noções mais básicas de ciência e deixem-se levar por ilusões.

Fonte: https://portugues.medscape.com/verartigo/6501722?src=soc_fb_171107_mscpmrk_portpost_6501722_fosfosintetica


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