DEVEMOS USAR LENTES COM FILTRO AZUL À NOITE?

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O tópico da luz artificial que reduz nossas horas de sono é muito atual, cada vez dormimos menos e passamos horas olhando para telas coloridas e ambientes de luz artificial. Muito já se discutiu a respeito dos efeitos do espectro azul de luz, que não ocorre naturalmente à noite, e seus efeitos em nosso sono e atividade mental.

A luz azul em nossos olhos inibe a produção de melatonina, hormônio ligado ao sono; em condições naturais, a luz do sol durante o dia tem o componente azulado que nos deixa despertos, mas, ao entardecer, a luz solar vai perdendo o tom azulado e nossa produção de melatonina começa a aumentar, chegando a um pico pouco antes da hora de dormir.

Com o uso intensivo de telas de lâmpadas modernas, smartphones, tablets e PCs, este ciclo está sendo alterado, pois estas lâmpadas e telas emitem também a luz azul como o sol.

Dois estudos recentes testaram a hipótese de que eliminar a luz azul após o pôr-do-sol poderia trazer benefícios: em ambos casos, foram utilizados óculos com lentes especiais que bloqueiam a luz azul, nas últimas horas antes de dormir.

No primeiro estudo, 21 voluntários utilizaram tais lentes por 4 horas diárias, e obtiveram um aumento de 58% nos seus níveis de melatonina, além de terem o sono 5,6% mais longo nas noites com lentes azuis.  A qualidade subjetiva do sono também mostrou melhoras, porém o estudo não foi controlado.

No segundo estudo, apresentado recentemente na Conferência Anual de Optometria em Chicago, 24 voluntários usaram as lentes que filtram azul ou então lentes muito semelhantes, mas sem o filtro (estudo controlado e cego) após 6h da tarde, durante 5 dias úteis. As lentes com filtro resultaram em um aumento de 96% nos níveis de melatonina, com menos despertares noturnos e um adormecer mais rápido em diversos indivíduos. O estudo também fez testes cognitivos, sendo que em um deles os usuários dos filtros azuis mostraram melhores resultados, assim como também obtiveram um grau menor de hostilidade em outro teste aplicado.

Na era digital, a exposição à luz azul é difícil de evitar, pois ela se faz presente, além das telas de LCD, nas lâmpadas modernas. As lâmpadas antigas, incandescentes, emitiam muita pouca luz azul. As lâmpadas “econômicas” (fluorescentes) emitem muita luz azul, e os atuais LEDs tem emissões variadas, de acordo com o modelo.

Há quem defenda que o cérebro humano vai adaptar-se rapidamente às novas fontes de luz, mas cada vez mais surgem evidências de que teremos que aperfeiçoar os dispositivos eletrônicos atuais para que emitam uma luz mais próxima da natural, ou então utilizar as lentes especiais testadas nos estudos acima.

Fontes:

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/opo.12385/full

https://www.medscape.com/viewarticle/887048

http://www.newtoncbraga.com.br/index.php/eletronica/52-artigos-diversos/8024-lampadas-de-leds-iluminacao-diferente-art1435

 


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