Desvendando a causa do derrame

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O derrame ou AVC é uma doença comum e devastadora (http://clinicapetterson.com.br/acidente-vascular-cerebral-ou-derrame/), trazendo sérias sequelas na maioria das vezes, geralmente paralisia de um lado do corpo ou incapacidade de falar. Ainda não existe um tratamento realmente eficiente para estes pacientes, capaz de fazê-los recuperar os movimentos com segurança. Então, a principal atitude dos médicos ao tratar um paciente com derrame é determinar sua causa, a fim de evitar um novo derrame. Apesar de todos avanços da medicina, em 30% dos casos de AVC não é possível identificar a causa.

Uma das causas mais comuns de derrame é uma arritmia cardíaca chamada fibrilação atrial (http://clinicapetterson.com.br/procurando-arritmias/). Nos pacientes portadores de tal arritmia, existe forte tendência à criação de coágulos de sangue dentro do coração, que posteriormente podem se desprender e migrar para o cérebro, junto com o fluxo de sangue, causando um AVC. Esta arritmia não é rara, mas geralmente é intermitente, ocorrendo somente durante alguns minutos ao mês, por exemplo. Mas o risco de AVC existe, mesmo para casos intermitentes. Então, há tempo supõe-se que boa parte dos casos de AVC sem explicação devam-se a episódios intermitentes de fibrilação atrial. Desvendar quem são estes pacientes é extremamente importante, pois existem tratamentos muito eficientes para evitar que esta arritmia cause derrames.

Na recente conferência de 2014 das Associações Americana e Internacional de AVC, o Dr Richard Bernstein, de Chicago, apresentou os resultados do estudo CRYSTAL-AF. Neste estudo, 441 pacientes que sofreram AVC sem causa definida realizaram uma monitorização de 24h dos batimentos cardíacos (Holter – http://cordialexames.com.br/exames/), o exame padrão para detectar arritmias intermitentes. Este exame desmascarou a existência de fibrilação atrial em menos de 1,4% dos pacientes. A seguir, metade dos pacientes recebeu um implante do novo monitor Reveal XT (figura) sob a pele, em um procedimento cirúrgico simples de 15-30 minutos sob anestesia local. Tal dispositivo tem o tamanho aproximado de um pendrive e monitora a atividade cardíaca, transmitindo os dados para uma unidade externa.

Os pacientes permaneceram até 3 anos com o dispositivo implantado. Após 3 meses de uso, o Reveal XT já havia detectado a arritmia (fibrilação atrial) em 8,9% dos paciêntes; após 1 ano do implante, em 12,4%; e após 3 anos, 30% dos pacientes tiveram diagnóstico desta arritmia. No grupo que não recebeu o implante, este índice estava em 3% após 3 anos.

Assim sendo, tal dispositivo parece ser extremamente promissor no manejo dos pacientes com suspeita de fibrilação atrial intermitente. A empresa fabricante (Medtronic) já está anunciando uma nova versão, miniaturizada, que pode ser injetada por agulha sob a pele do paciente em 30 segundos e não deixa cicatriz. Como em outros casos de avanços tecnológicos na medicina, o preço inicial é alto (o custo atual do equipamento é de U$ 4000), mas deve reduzir de maneira importante com a produção em série e a concorrência de outras empresas.

Fonte: http://www.medscape.com/viewarticle/820686#2


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