Comparativo de anti-inflamatórios tradicionais x modernos (“coxibes”)

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Os anti-inflamatórios estão entre as drogas mais prescritas e utilizadas no mundo inteiro há várias décadas, sendo especialmente úteis para o tratamento da dor. Porém, no passado eram muito comuns casos de úlceras gástricas graves causadas pelo uso dessas medicações.

Em 1999, foi lançada uma nova geração de anti-inflamatórios, os inibidores da COX-2, mais tarde apelidados de “coxibes”. Estes novos anti-inflamatórios possuem a vantagem de serem muito menos agressivos ao trato digestivo, causando menos úlceras e sangramentos intestinais.  Porém, logo nos primeiros anos do séc. XXI, estudos com estes coxibes mostraram uma incidência aumentada de eventos cardiovasculares (infartos, “derrames”, óbitos) associados ao uso destas novas medicações, o que levou a uma redução no seu uso e ao gradual desaparecimento de várias destas drogas do mercado. Hoje, no Brasil só há duas destas drogas ainda à venda: celecoxibe e o etoricoxibe. Após este alarme com os coxibes, os anti-inflamatórios tradicionais foram reavaliados em novos estudos, e ficou evidente que eles TAMBÉM causam elevação no risco de eventos cardiovasculares. A dúvida passou a ser qual dos dois tipos de anti-inflamatórios é mais seguro.

Após tantos anos, o assunto foi trazido de volta à tona com a publicação recente do estudo SCOT, realizado no Reino Unido, Dinamarca e Holanda. Neste estudo, pacientes com mais de 60 anos de idade, sem doença cardíaca, que necessitavam uso constante de anti-inflamatórios por serem portadores de osteoartrite ou artrite reumatoide, e já vinham em uso de anti-inflamatórios tradicionais (geralmente diclofenaco ou ibuprofeno) foram sorteados para continuarem com as drogas usuais ou então mudarem para celecoxibe (inibidor da COX-2). No total, 7297 pacientes participarem do estudo, e, após 3 anos de seguimento, o número de eventos cardiovasculares foi O MESMO em ambos os grupos. Também não houve diferença analisando-se somente os pacientes que usavam diclofenaco, ou somente os que usavam ibuprofeno. Ao contrário do esperado, a chance de uma complicação digestiva grave foi baixíssima com qualquer tratamento, sem vantagem para os coxibes.

Portanto, parece finalmente esclarecido que os anti-inflamatórios mais modernos (coxibes) são muito semelhantes aos antigos, e talvez não ofereçam vantagem (ou desvantagem) importante.

Fontes:

http://www.medscape.com/viewarticle/870194

https://pt.wikipedia.org/wiki/Celecoxib


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