Comparação entre medicamentos e exercícios

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No dia 1º de outubro, o British Medical Journal publicou um estudo metaepidemiológico a respeito do tratamento de doenças com exercícios versus medicamentos. Foi uma análise de estudos prévios, totalizando 305 estudos de alta qualidade, abrangendo quase 340.000 pacientes. Foram analisadas 4 patologias nestes estudos:

•    Doença coronariana: pacientes que já haviam sofrido algum infarto do miocárdio ou revascularização (pontes de safena, angioplastia, stents).
•    Acidente Vascular Cerebral (AVC ou derrame).
•    Insuficiência cardíaca (“coração fraco”)
•    Pré-diabetes (pessoas com exames laboratoriais alterados indicando forte tendência para ficarem diabéticos em breve)
•    Para a doença coronariana, o uso de qualquer uma de 4 medicações diferentes teve o mesmo benefício (redução do número de mortes) do que a prática regular de exercícios físicos (empate).
•    Para AVC (derrame), a prática de atividade física regular teve efeito protetor maior (menos mortes) do que o uso de qualquer medicamento (exercício melhor do que medicação).
•    Para Insuficiência cardíaca, o uso de medicações trouxe mais benefício (menos mortes) do que o exercício (medicação melhor do que exercício).
•    E para evitar que um paciente pré-diabético venha a falecer, nem drogas nem exercícios físicos mostraram-se benéficos no tempo de duração dos estudos (empate). Isto provavelmente ocorreu porque esta condição leva muito tempo para causar a morte de uma pessoa, e os estudos não tiveram duração suficiente.

Os autores fizeram um alerta a respeito da pequena quantidade de estudos científicos publicados analisando o efeito do exercício no tratamento destas patologias, e um número menor ainda para outras patologias, que, por isso mesmo, não foram incluídas na presente análise.
Muito importante salientar que, normalmente, o benefício da atividade física regular SOMA-SE ao benefício de tratamentos medicamentosos. Então, os autores não pretendem demonstrar que pessoas que sofreram um AVC deixem de tomar sua medicação e tenham como único tratamento a atividade física, mas sim que estes pacientes não deixem de incluir o exercício físico no seu tratamento, que normalmente já inclui drogas.
Mais uma vez, fica demonstrado que o corpo do ser humano não teve tempo de adaptar-se ao nosso estilo de vida moderno, sedentário. Temos que nos manter ativos, mesmo depois de doentes.

Fonte: BMJ 2013; 347 doi: http://dx.doi.org/10.1136/bmj.f5577 (Published 1 October 2013)


Comentários

10/10/2013 23:27

Raquel Christmann

Reply

Excelente matéria. O trabalho conjugado é sempre a melhor opção. Desta forma, unirmos esforços beneficiará e muito os pacientes/alunos. Parabéns Carlos pela publicação, e, também, pelo seu excelente trabalho. Abraço.

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