COMER POUCO PROLONGA A VIDA?

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Desde a década de 1930, cientistas sabem que restringir calorias de maneira importante, uma redução entre 20-50%, sem causar desnutrição, prolonga dramaticamente a vida de roedores. Nas décadas seguintes, pesquisas mostraram que a redução calórica importante também prolonga a vida de outras espécies, de fungos a peixes de aquário e macacos.

Ainda é uma questão aberta provar que o mesmo efeito pode ser observado em humanos, mas evidências epidemiológicas e estudos observacionais sugerem fortemente que esta prática pode ajudar pessoas a prolongar sua vida e também a ter mais saúde. O problema é prático: comer pouco é difícil, e uma restrição calórica durante toda vida, cortando de 500 a 600 calorias todos dias, pode ser inatingível para a maioria de nós.

Em 2015, foram publicados os resultados do estudo Calerie 2, onde 218 pessoas foram sorteadas para comida normal ou restrição calórica de 25% durante 2 anos. Ao término do estudo, ficou claro que a restrição calórica obtida ficou muito aquém do planejado, em apenas  11,7%; houve consequente perda de 10% do peso neste grupo. A idéia dos pesquisadores era determinar se a restrição calórica causaria redução do metabolismo basal destes indivíduos, ou de sua temperatura interna (estes dois fatores estão associados ao retardo do envelhecimento em modelos de pesquisa animal). Os objetivos não foram atingidos, possivelmente porque a restrição calórica não foi o suficiente.

Mas como fazer com que pessoas livres tenham uma redução calórica tão expressiva a ponto de, possivelmente, prolongar a vida?

Atualmente, os cientistas estão mais voltados para aspectos práticos desta questão, com algumas soluções, como por exemplo o jejum intermitente (1 ou 2 dias por semana em jejum). Jejum seria uma maneira curta de fazer restrição calórica, e jejuns intermitentes causariam o mesmo efeito no organismo do que a restrição calórica permanente. Estudos em outras espécies comprovaram que os efeitos são semelhantes. Parece que seria um método mais factível de manter a dieta a longo prazo em humanos.

Num estudo de 2011, mulheres com sobrepeso realizaram um plano 5:2, onde poderiam comer livremente 5 dias por semana, mas depois havia 2 dias consecutivos com corte de 75% das calorias. Os resultados em exames de sangue, pressão e peso foram muito semelhantes aos obtidos com restrição calórica diária.

Um estudo recente sugere que uma restrição energética mais branda pode ser benéfica: os 100 participantes reduziram 60% das calorias por apenas 5 dias consecutivos, uma vez ao mês, durante 3 meses. Foi o suficiente para demonstrar resultados significativos em termos de peso, gordura corporal, cintura, pressão arterial, redução de IGF-1, glicose, colesterol total, colesterol LDL e proteína C reativa. Os participantes que iniciaram o estudo com pré-diabetes o finalizaram sem esta condição.

Alguns pesquisadores alegam que os efeitos benéficos a longo prazo seriam mediados por outros fatores além destas melhoras laboratoriais observadas. A idéia é que, nos dias de restrição, as células mais danificadas dos nossos órgãos seriam “desligadas”, e nos dias subsequentes, células tronco progenitoras reconstruiriam os sistemas e células danificados.

Mais testes estão em andamento com a restrição calórica intermitente, a fim de elucidar se ela é sustentável e longo prazo, e confirmar seus efeitos benéficos. Supõe-se que doenças autoimunes também podem melhorar com esta estratégia alimentar.

Portanto, ainda não há dados definitivos a respeito, e eles podem levar algumas décadas para aparecer, mas tudo indica que “comer bem é comer pouco” e “comer muito é comer mal”, ao contrário do que muitas vovós pensam….. Chegamos numa época da história em que o excesso de alimento tornou-se a principal causa de morte no mundo como um todo.

 

FONTE: JAMA. 2017 Jul 18;318(3):227-229. doi: 10.1001/jama.2017.6648.


Comentários

04/08/2017 21:32

Lira Voese Jost

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Recebi de uma amiga esta explicação. Sou paciente também é gostaria receber os artigos.

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