Aterosclerose e poluição do trânsito

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Em abril, no congresso Europrevent 2013, o pesquisador alemão dr Hagen Kälsch apresentou um estudo muito interessante. Sabendo-se de antemão que morar próximo a estradas com muito tráfego está relacionado a uma maior prevalência de aterosclerose, o pesquisador procurou saber se esta relação é causada pelo ruído estressante do tráfego ou pela poluição atmosférica determinada pelos veículos. Para tanto, ele e seu grupo realizaram tomografias arteriais à procura de aterosclerose na artéria aorta em 4328 adultos. E depois correlacionaram os resultados com 3 fatores: a distância que cada participante morava de locais de trânsito intenso, o nível de ruído oriundo do trânsito e a quantidade de material particulado menor que 2,5 micra na atmosfera do local de moradia (as partículas deste tamanho, oriundas do escapamento dos automóveis, são tão pequenas que, além de inaláveis, atingem até os alvéolos pulmonares, penetrando na circulação sanguínea).

Eis os resultados:
– como já esperado, quanto mais próximo a pessoa morava de vias com muito tráfego, mais chance de ter aterosclerose nas tomografias (para cada 100 metros mais perto, 10% mais aterosclerose)
– para cada 2.4µg/m3 a mais de partículas, havia 20% a mais aterosclerose (resultado significativo)
– para cada 5 dB a mais de ruído no local, havia 3% a mais aterosclerose (resultado não significativo)

Portanto, concluiu-se que morar próximo a locais de alto tráfego tem mesmo uma o forte relação com o desenvolvimento de aterosclerose, e o mecanismo envolvido parece ser mediado pelas partículas poluidoras atmosféricas inaláveis.
Importante lembrar que, em média, um adulto trabalhador passa cerca de ¼ do tempo fora de sua residência, no trabalho. Caso o local de trabalho também tenha muita poluição de tráfego, a chance de aterosclerose deve ser maior ainda.
E o estudo também serve para questionar qual o real benefício de se realizar atividades físicas ao ar livre em locais de intenso tráfego: será que o benefício supera o malefício da poluição?

Fonte: Heinz Nixdorf Recall Study, http://spo.escardio.org/Abstract.aspx?eevtid=58&fp=P307


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