Até quanto devemos baixar a pressão?

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A hipertensão arterial sistêmica é uma das doenças mais prevalentes no mundo moderno, e está envolvida na maior parte dos casos de infarto do miocárdio e AVC (“derrame”).  Ao longo de décadas de pesquisa, inúmeros tratamentos foram criados para reduzir a pressão arterial em hipertensos e, consequentemente, evitar as complicações. A dúvida que ainda persiste em 2015 é: até quanto devemos reduzir a pressão?

Com as modernas medicações, tornou-se possível atingir níveis de pressão sistólica de 130, 120 110 ou até menos, na maioria dos pacientes. Porém, supõe-se que reduzir a pressão excessivamente pode ser danoso ao paciente. Assim, ainda não se sabe qual a meta ideal de pressão arterial a ser atingida.

Diferentes sociedades médicas têm proposto metas diferentes: 150/90 mmHg, 140/90, 130/80mmHg; novas publicações ocorrem a cada 3-4 anos, e as metas modificam-se levemente de acordo com as novas evidências.

Agora, um importante estudo parece ter trazido mais luz ao assunto: o estudo SPRINT sorteou 9361 indivíduos hipertensos (com alto risco de sofrerem infarto ou AVC) para terem sua hipertensão reduzida até os níveis de 140 mmHg (tratamento usual) ou até 120 mmHg (tratamento intensivo), metade dos pacientes em cada grupo. Após 3,2 anos de seguimento destes pacientes, o comitê de segurança interrompeu o estudo porque o número de eventos nos pacientes com tratamento usual estava muito maior do que o do grupo de tratamento intensivo. Quem teve sua pressão reduzida para a meta de 120 mmHg (em média foi atingido 121mmHg)  sofreu 25% menos eventos cardiovasculares do que o grupo usual, que atingiu 136mmHg. O grupo de tratamento intensivo necessitou mais medicamentos para baixar sua pressão (2,8 medicamentos por dia na média, contra 1,8 do grupo usual), mas sofreu também 27% menos mortes, apesar de ter sofrido mais casos de desmaios e pressão baixa.

Estes resultados muito significativos indicam que é seguro e recomendável reduzir a pressão arterial para 120mmHg na maioria dos hipertensos, mesmo às custas de mais medicamentos. Provavelmente em breve as sociedades médicas publicarão novas recomendações, revisando para baixo os valores alvo do tratamento da hipertensão.

Porém, no dia-a-dia do médico, cada paciente é um caso específico; para alguns, será vantajoso reduzir a pressão para 120mmHg, enquanto que em outros casos pode ser mais prudente manter um valor mais alto. Assim como tem sido demonstrado para os índices de colesterol e glicose, não parece haver um valor alvo fixo que seja recomendável para todas as pessoas, irrestritamente. O mais apropriado parece ser um valor alvo para cada hipertenso, levando-se em conta suas particularidades e seus outros fatores de risco cardiovasculares. Contudo, agora o médico pode sentir-se seguro em trazer a pressão para 120 mmHg na maioria dos pacientes.

Fontes:

http://www.medscape.com/viewarticle/854149

http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1511939?query=featured_home#t=article


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