Aspirina® preventiva agora tem companhia

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O medicamento Aspirina®, também conhecido como AAS®, Somalgin®, ácido acetilsalicílico e Melhoral®, entre outros nomes, é comercializado há 120 anos e segue firme na cardiologia. Há décadas é utilizado como parte da prevenção de infartos e “derrames”. Seu efeito benéfico decorre de uma redução leve na coagulação sanguínea, reduzindo a chance de formação de coágulos de sangue em artérias já comprometidas por placas de gordura. Apesar de propiciar um pequeno aumento na chance de sangramentos diversos, seu benefício costuma superar este risco, e ainda é uma medicação usada maciçamente, com bons resultados.

O mesmo fabricante da Aspirina® (Bayer) já fabrica há alguns anos um anticoagulante mais potente chamado  Xarelto® (rivaroxabana), utilizado nas doses de 15, 20 e até 30mg ao dia, em doenças que exigem um poder maior em reduzir a coagulação sanguínea.

A novidade é o mega-estudo COMPASS, apresentado no Congresso Europeu de Cardiologia, onde mais de 27.000 indivíduos, geralmente com mais de 65 anos, e que apresentavam muitas obstruções por placas de gordura, já em uso de Aspirina®, foram sorteados para receber adicionalmente Xarelto® na baixa dose de 2,5mg duas vezes ao dia (Xarelto® + Aspirina®) ou então receber placebo (placebo + Aspirina®).

Após cerca de 2 anos, o estudo foi interrompido devido ao benefício mostrado com o uso de Xarelto® adicionado. Os pacientes que receberam esta combinação sofreram menos mortes, menos “derrames” e um pouco menos de infartos. O benefício ocorreu às custas de um aumento no número de hemorragias, mas o benefício superou o perigo.

Há tempos a comunidade médica sabia que alguns pacientes necessitavam de medicações mais potentes do que a Aspirina®, mas sempre houve receio de que um aumento no risco de hemorragias eliminaria qualquer benefício. Agora, com os números do estudo Compass em mãos, os médicos podem selecionar pacientes de mais alto risco para que recebam o Xarelto® em baixas doses, adicionado à Aspirina®. O laboratório Bayer ainda não comercializa esta baixa dose no Brasil, e repartir os comprimidos de 10mg em 4 partes é inviável, portanto é necessário aguardar o lançamento e torcer para que o custo seja mais acessível do que o das doses já existentes no mercado.

Fonte: http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1709118#t=article


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