Aprovados dois novos medicamentos para colesterol

novo medicamento

Este mês, o FDA, órgão do governo americano que regula a comercialização de medicamentos naquele país, reuniu-se para estudar os dados a respeito de duas novas drogas redutoras de colesterol, o alirocumab (Praluent®) e o evolocumab (Repatha®), que foram aprovadas na ocasião. Ambos medicamentos pertencem a uma nova classe, os chamados inibidores da proproteina convertase subtilisina kexina 9 (PCSK9). Tratam-se de anticorpos que inibem esta enzima importante na síntese do LDL (colesterol ruim), portanto reduzindo seus níveis. Ambos medicamentos são injetáveis, sendo aplicados por via subcutânea (como a insulina em diabéticos), porém com uma dose quinzenal ou mensal.

A aprovação baseou-se nos estudos iniciais, realizados em humanos, que mostraram enorme redução do colesterol LDL (o “ruim”) sem efeitos colaterais relevantes. Na verdade, são os mais potentes redutores de LDL já vistos. Assim, a aprovação será para esta indicação específica: reduzir o colesterol LDL.

Cabem aqui algumas palavras de cautela. Supõe-se que, ao utilizar-se tais drogas, a redução de colesterol LDL propicie uma redução nos índices de infartos e mortes decorrentes da aterosclerose; é apenas uma suposição, pois, ao contrário do que muitos podem pensar, nem todos os medicamentos que reduzem o LDL conseguem reduzir também as complicações do excesso de colesterol ruim. De fato, quando um remédio reduz LDL mas não reduz as complicações tardias (como infartos, “derrames” e morte) ele não tem utilidade clínica.

Mesmo assim, os medicamentos em questão estão sendo aprovados, pois, até agora, mostraram que reduzem LDL e não tem paraefeitos importantes. Existem estudos em andamento para determinar que seu uso a longo prazo (anos) é seguro, e que também demonstrarão se tais drogas conseguem reduzir o índice de infartos, mortes, etc. Infelizmente, para demonstrar este efeito serão necessários vários anos. Assim sendo, por volta de 2018, quanto tais estudos forem publicados, saberemos se estes novos medicamentos têm real utilidade clínica ou não. Até lá, eles podem ser receitados como “última medida” para pacientes sob alto risco de sofrer complicações e em quais os tratamentos usuais falharam, sempre com o paciente informado de que os efeitos a longo prazo destes tratamentos ainda não foram determinados.

Fonte: http://www.medscape.com/viewarticle/846236


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