Anabolizantes e doença cardíaca

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O uso de anabolizantes para aumento de massa muscular ainda é muito frequente, especialmente em jovens frequentadores de academias, apesar de alertas antigos a respeito do perigo destas medicações.

Pesquisadores norte-americanos recrutaram 140 experientes halterofilistas do sexo masculino, a fim de analisar o estado de saúde de seus corações. Dentre eles, 86 relatavam uso prolongado (acima de 2 anos, cumulativo) de anabolizantes, e foram comparados com os outros 54 que não haviam usado anabolizantes.

Em todos indivíduos foram realizados ecocardiogramas, a fim de medir o coração e analisar sua “força”, e também angiotomografias das artérias coronárias, à procura de placas de aterosclerose (que tendem a causar infartos). A idade dos halterofilistas variava entre 34 e 54 anos.

Quanto à “força” do coração, medida ecocardiográfica chamada de fração de ejeção, considera-se normal um valor acima de 52%. Os usuários (passado ou presente) de anabolizantes tiveram um valor médio de 52%, contra 63% dos não usuários. Os usuários atuais tinham média de 49%, contra 58% dos usuários passados. Ou seja, o coração dos não-usuários de anabolizantes era “mais forte”.

As angiotomografias mediram o volume, em mm3, de placas de aterosclerose nos corações examinados. Quanto mais placa, pior, obviamente, sendo que o normal seria ausência de placas. O volume médio dos usuários de anabolizantes foi de 3 mm3 contra zero mm3 dos não usuários. Houve uma correlação direta entre o tempo de uso destas drogas e o volume de placas nas coronárias: quanto mais tempo usando, mais doença. Importante salientar que 3 usuários de anabolizantes já haviam infartado, contra zero dos não usuários.

Os autores concluem que o uso de esteroides anabolizantes está associado com disfunção cardíaca e aterosclerose acelerada. Assim como todos outros remédios, estes também têm seus efeitos colaterais (e são efeitos graves), sendo que o seu malefício parece superar em grande monta o benefício cardiovascular obtido com essa atividade física.

Fonte:

http://circ.ahajournals.org/content/135/21/1991


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