Álcool e arritmia

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Ingerir álcool em quantidades moderadas é considerado um hábito seguro do ponto de vista cardiovascular, e pode resultar até em proteção contra infartos, de acordo com vários estudos observacionais prévios. Porém, já é sabido a algum tempo que a ingesta de grandes quantidades de álcool (“bebedeiras”) pode levar ao surgimento de uma arritmia cardíaca perigosa, a fibrilação atrial.

Para medir a quantidade de álcool ingerida, considera-se que uma dose de bebida alcóolica tem 12g de álcool (isto equivale a 330-660ml de cerveja, a depender da graduação alcoólica, 150ml de vinho ou 40ml de destilado). Considera-se consumo moderado de álcool 2 doses diárias na maior parte dos dias da semana (ou apenas 1 dose, para mulheres).

A novidade que acaba de ser publicada no Jornal do Colégio Americano de Cardiologia (JACC), é uma análise de quanto álcool é necessário para desencadear a fibrilação atrial. Os autores, na Suécia, analisaram quase 80.000 homens e mulheres livres de fibrilação atrial que preencheram um questionário a respeito do uso de álcool e foram acompanhados por 11 anos à procura de novos casos de fibrilação atrial registrados por algum serviço médico. Foram detectados 7.200 casos de fibrilação, e, para aumentar o poder do estudo, estes dados foram combinados com os de estudos prévios semelhantes, totalizando 12.554 casos desta arritmia.

                Os resultados mostraram que, comparados às pessoas que bebem muito pouco ou nada (menos de uma dose de álcool por semana), quem bebe 1 dose por dia tem 8% mais chance de desenvolver esta arritmia. Para quem ingeria 2 doses por dia, o risco aumentou em 17%, e 26% para 3 doses diárias. Os números para 4 e 5 doses diárias foram 36% e 47%, respectivamente.

                Ou seja, qualquer quantidade de consumo de álcool, mesmo abaixo do considerado “moderado”, aumenta o risco de fibrilação atrial. E a fibrilação atrial é uma arritmia cada vez mais comum, além de perigosa, pois tem grande tendência a cronificar, e pode desencadear isquemias cerebrais.

                Esta nova informação soma-se a um recente posicionamento da Agência Internacional para Pesquisa em Câncer da Organização Mundial da Sáude  (http://clinicapetterson.com.br/nenhuma-quantidade-de-alcool-e-segura/) e se contrapões à antiga recomendação de que quantidades moderadas de álcool são benéficas.

                Assim sendo, parece que a lista de restrições alimentares para uma vida saudável cada vez aumenta mais. Felizmente, existe uma grande variação individual na tolerância ao álcool, e nem todas pessoas desenvolvem arritmias com quantidades “moderadas”. Cabe a cada um avaliar o seu limite pessoal, lembrando que quanto menos álcool, melhor, aparentemente.

 Fontes

http://content.onlinejacc.org/article.aspx?articleid=1889060

http://www.medscape.com/viewarticle/828211


Comentários

01/06/2017 23:33

Silioneida vieira

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Precisei trocar a valva mitral e optei pela metálica, estou muito bem. Tomo anticoagulante e raramente bebo um copo de cerveja.

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