Afinal, o omeprazol causa câncer?  

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A imprensa leiga noticiou nos últimos dias manchetes associando o consumo de omeprazol com câncer no estômago. O assunto logo chamou atenção, pois é uma droga muito consumida, assim como seus congêneres: esomeprazol, pantoprazol, rabeprazol, deslansoprazol e lansoprazol. São medicamentos que reduzem drasticamente a acidez gástrica, levando a um alívio imediato nos sintomas de azia, dor no estômago, refluxo, dispepsia e outros. Muitos brasileiros utilizam estes medicamentos diariamente, há anos.

Mas na verdade, o estudo recém-publicado a que se referem as manchetes não descobriu que omeprazol causa câncer. O que o estudo fez foi analisar 63.397 moradores de Hong Kong que haviam finalizado um tratamento com antibióticos para erradicar a bactéria H Pilori, que é comprovadamente causadora de câncer gástrico. Os pesquisadores determinaram, através de registros do sistema de saúde local, quais destes indivíduos utilizaram cronicamente omeprazol ou derivados após a cura do H Pilori, e quais usaram outro tipo de medicamento para redução de acidez gástrica (antagonistas do receptor 2 de histamina, como a ranitidina por exemplo).

Após 7 anos e meio da eliminação do H Pilori, 0,24% dos pacientes apresentava câncer gástrico. Os dados mostraram que, mesmo para quem fazia uso apenas semanal de omeprazol e derivados, o risco de câncer gástrico aumentou 144% quando comparado aos usuários da ranitidina e derivados. Mas o risco foi maior para quem usava omeprazol com mais frequência, ou por mais tempo, chegando a 355% de elevação no risco de câncer para uso diário.

Existem explicações plausíveis para que o uso crônico de omeprazol e assemelhados cause câncer gástrico, e essa sempre foi uma preocupação de pesquisadores. Porém, o estudo citado não descobriu que omeprazol causa câncer, apenas determinou que quem usa muito omeprazol (ou seus derivados) tem mais câncer; a causa do câncer pode ser outro motivo.

Por exemplo: talvez o consumo frequente de alimentos “agressivos” ao estômago leve ao câncer, e as pessoas que consomem estes alimentos frequentemente necessitam tomar omeprazol para tolerar os alimentos, já que ele é mais potente que a ranitidina; neste caso seria a dieta que causaria o câncer, e não o medicamento.

De qualquer forma, este não é o primeiro estudo que indica uma associação (plausível) entre o consumo prolongado de omeprazol (ou derivados) e câncer gástrico, e existem boas chances de que o omeprazol realmente leve ao surgimento de câncer. Mas porque algumas pessoas necessitam usar cronicamente estes medicamentos? Talvez a resposta esteja na dieta: é possível que existam alimentos específicos que, se retirados da dieta destas pessoas, levariam a uma “cura” dos sintomas dispépticos e à não necessidade do uso de medicamentos. Então muitas pessoas estariam utilizando omeprazol e derivados apenas para poderem comer “de tudo” sem se preocupar com a repercussão.

Futuros estudos poderão esclarecer estas hipóteses, mas, por hora, quem precisa de omeprazol ou derivados com frequência deveria reavaliar o que tem comido ou bebido, talvez o omeprazol não deixe o estômago “blindado” contra problemas.

Fonte:http://gut.bmj.com/content/early/2017/09/18/gutjnl-2017-314605

 


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