A importância da redução da pressão arterial no sono

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Desde o surgimento da medida da pressão arterial, há cerca de 250 anos, ela tem sido considerada um fenômeno flutuante, cujo valor altera-se a cada batimento do coração, porém a sua medida geralmente é realizada de maneira estática, com um esfigmomanômetro, no consultório médico ou centro de saúde.

A partir da década de 60, com o surgimento dos monitores automáticos de pressão de 24 horas (MAPAs), tornou-se possível a obtenção de dezenas de medidas de pressão arterial em um indivíduo no mesmo dia, durante suas atividades corriqueiras, e inclusive durante o sono. Logo foi observado que a pressão arterial costuma reduzir-se durante o sono, uma redução entre 10 e 20% sobre os valores observados durante a vigília.

Hoje, com a popularização dos exames de pressão arterial de 24h (MAPAs – https://www.youtube.com/watch?v=YsRp5AIhqIs), os médicos deparam-se rotineiramente com laudos que mostram valores diferentes destes 10-20% durante o sono de seus pacientes.

Um estudo realizado por médicos brasileiros, em parceria com colegas europeus e japoneses, acaba de ser publicado no periódico médico Hypertension, analisando qual o efeito das diferentes percentagens de queda da pressão arterial durante o sono, utilizando-se o método MAPA, em mais de 17.000 indivíduos.

Eis a chance de eventos cardiovasculares não fatais demonstrada nesse estudo, comparando-se a pessoas com queda normal de pressão arterial no sono (10-20%):

* Entre 0 e 10% de queda: 27% mais eventos cardiovasculares.

* Elevação da pressão arterial no sono (inversão do padrão normal): de 57% a 89% mais eventos.

* Queda acima de 20% (exagerada): aumento de 92% na chance de eventos cardiovasculares, nos pacientes que não estão utilizando remédios para controle da pressão; porém, caso o paciente esteja sob tratamento, a queda exagerada da pressão no sono não representou risco aumentado.

Assim, ficou evidente que quedas anormais de pressão arterial durante o sono trazem perigo muito aumentado de complicações. Esse estudo sugere que talvez não seja possível determinar se um paciente está com pressão arterial controlada utilizando-se somente de medidas feitas durante a vigília.

Infelizmente, ainda não há estudos grandes testando se a manipulação dessa pressão arterial durante o sono, com medicamentos, trará benefícios (redução de eventos) para estes pacientes; é tentador supor que sim.

Fonte: http://hyper.ahajournals.org/content/early/2016/02/22/HYPERTENSIONAHA.115.06981.abstract 


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