A fumaça dos outros

fum

Poucas epidemias foram tão devastadoras e preveníveis como aquelas causadas pelo tabagismo. Somente na metade do século XX é que estudos epidemiológicos provaram a forte relação entre o hábito de fumar e diversas doenças, especialmente aterosclerose, câncer de pulmão, outros cânceres e doenças pulmonares. Nessa época, o hábito de fumar já havia se disseminado pelo mundo, e ainda hoje o número de fumantes está aumentando nos países mais atrasados.
Porém, apesar da ampla divulgação e conhecimento dos malefícios do cigarro para o fumante, o efeito do fumo passivo ainda é muito menos divulgado, apesar de não menos importante. Considera-se fumo passivo a inalação involuntária de fumaça de cigarro por não fumantes. Geralmente ocorre em casa, mas até bem pouco tempo atrás ainda era muito freqüente no ambiente de trabalho e em bares e restaurantes.
Os resíduos tóxicos do cigarro e da expiração do fumante difundem-se rapidamente pelo ar da casa, mantendo-o “poluído”. Pesquisas americanas indicam que em cerca de 90% dos lares de não fumantes não se permite que outras pessoas fumem. Interessantemente, o mesmo ocorre em 45% dos lares de fumantes.
De acordo com o conhecimento atual, resultante da soma de vários estudos já realizados, eis o que acontece, em média, quando um não-fumante mora com um fumante:

•    Aumenta em 20% o risco de morte por infarto.
•    Aumenta em 30% o risco de aterosclerose no coração.
•    Aumenta em 30% o risco de câncer de pulmão.

E o que acontece quando uma criança cresce numa casa com algum fumante:

•    Aumenta 10% a chance de a criança desenvolver câncer.
•    Aumenta 37% o risco de otite média (infecção no ouvido).
•    Aumenta a chance de cáries dentárias.
•    Aumenta a chance de síndrome da morte súbita infantil.
•    Aumenta em 11% o risco de sofrer câncer de pulmão depois de adulto.
•    Aumenta 50% a chance de a criança desenvolver câncer quando adulta.
•    Aumenta a chance de a criança desenvolver doenças no coração quando adulta.

Em relação ao fumo em lugares públicos, o mesmo foi proibido na Escócia em março 2006, e nos 10 meses seguintes os hospitais daquele país observaram uma queda de 17% no número de infartos (14% entre os fumantes, 19% entre os ex-fumantes e 21% entre os nunca fumantes).

Uma nova fonte de preocupação, que somente agora começa a ser estudada, é o fumo de terceira mão. O fumo de terceira mão inclui tudo o que sobra depois da fumaça visível ter se dissipado no ar. São as toxinas do tabaco que se acumulam nas superfícies com o tempo. Existem indícios que estas substâncias mantém suas características carcinogênicas. Ainda não há estimativas precisas a respeito do seu perigo.
A solução para todos os problemas listados acima é simples e evidente: NÃO FUME! O tabagismo não afeta somente a saúde do fumante, mas de todos que convivem com ele. Hoje em dia a medicina já dispõe de tratamentos eficazes para abandonar o hábito de fumar. Se for fumante, converse com seu médico a respeito. Todos têm o direito de respirar ar puro.

 


Comentários

Deixe um Comentário